lunes, 9 de noviembre de 2015

Jardines de Portugal


O Fado nasceu um dia, 
quando o vento mal bulia 

e o céu o mar prolongava, 

na amurada dum veleiro, 

no peito dum marinheiro 

que, estando triste, cantava, 

que, estando triste, cantava. 


Ai, que lindeza tamanha, 

meu chão , meu monte, meu vale, 

de folhas, flores, frutas de oiro, 

vê se vês terras de Espanha, 

areias de Portugal, 

olhar ceguinho de choro. 


Foto cedida por Puri. España
Na boca dum marinheiro 
do frágil barco veleiro, 
morrendo a canção magoada, 
diz o pungir dos desejos 
do lábio a queimar de beijos 
que beija o ar, e mais nada, 
que beija o ar, e mais nada. 

Mãe, adeus. Adeus, Maria. 
Guarda bem no teu sentido 
que aqui te faço uma jura: 
que ou te levo à sacristia, 
ou foi Deus que foi servido 
dar-me no mar sepultura. 

Ora eis que embora outro dia, 
quando o vento nem bulia 
e o céu o mar prolongava, 
à proa de outro veleiro 
velava outro marinheiro 
que, estando triste, cantava, 
que, estando triste, cantava.

                
              Amália Rodrigues

2 comentarios:

  1. Muy bonito ,haces un y buen trabajo buscando todos estos poemas y canciones.
    Maravilloso y como dicen los portugueses... OBRIGADO no se si lo he escrito bien.

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